Pesquisa publicada na revista Frontiers in Sociology analisa os impactos do trabalho doméstico remunerado e não remunerado na saúde física e mental das mulheres
O psicanalista Paulo Henrique Roberto, professor do curso de Psicologia do Centro Universitário UNICEPLAC, publicou um artigo na revista científica Frontiers in Sociology, uma das principais publicações internacionais na área das Ciências Sociais.
Intitulado Reproductive labor, social vulnerability, and female aging: a scoping review, o estudo integra a tese de doutorado desenvolvida pelo pesquisador há três anos no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa investiga o trabalho doméstico remunerado e não remunerado e seus impactos sobre a saúde e as condições de vida das mulheres.
Segundo o professor, o artigo apresenta uma revisão de escopo da literatura nacional e internacional sobre o tema, reunindo evidências produzidas em diferentes países. “Os resultados mostram que o trabalho doméstico, especialmente entre mulheres migrantes, continua sendo um espaço em que desigualdades de gênero, classe e raça são reproduzidas.
A maior parte dos estudos analisados foi realizada na China, em Singapura e nos Estados Unidos, utilizando principalmente metodologias qualitativas ou mistas”, explica o professor Paulo Henrique. A pesquisa identificou que os principais temas abordados pelos estudos incluem os impactos do trabalho doméstico na saúde física e mental das trabalhadoras. Entre os problemas mais recorrentes estão sofrimento psicológico, dores musculoesqueléticas, fadiga, além da exposição à violência simbólica e física. Esses fatores são agravados pela informalidade das relações de trabalho e pela ausência de proteção legal em diversos contextos.
“O estudo evidencia que os corpos e as subjetividades dessas trabalhadoras tornam-se espaços onde se manifestam desigualdades estruturais, refletindo condições de trabalho marcadas por vulnerabilidades sociais”, afirma o pesquisador.
Reflexos no Brasil
Embora parte significativa da literatura analisada tenha sido produzida em outros países, o pesquisador destaca que os resultados dialogam diretamente com a realidade brasileira. “A literatura nacional e internacional demonstra que o trabalho doméstico ainda produz impactos importantes na saúde física e emocional dessas mulheres, pois permanece marcado por relações de subalternização. A precarização e o isolamento tornam essas trabalhadoras mais vulneráveis a diferentes formas de violência presentes no cotidiano. Por isso, ampliar o debate no meio acadêmico é fundamental para fortalecer políticas públicas e dar visibilidade a uma pauta que permanece atual, mesmo após avanços legislativos, como a regulamentação dos direitos das trabalhadoras domésticas”, conclui Paulo Henrique Roberto.
