Coordenador Wladimir Rodrigues fala sobre formação, mercado de trabalho e os impactos da inteligência artificial na área
Em 10 anos, a forma como a sociedade fala sobre saúde mental mudou. Temas como ansiedade, neurodivergência e autocuidado ganharam espaço, enquanto novas tecnologias e transformações sociais ampliaram as possibilidades de atuação dos psicólogos.
Nesse cenário, o curso de Psicologia do Centro Universitário UNICEPLAC celebra 10 anos. Com nota máxima no MEC, a graduação se destaca pela formação prática e pela atuação junto à comunidade. Atualmente, 90% dos egressos trabalham na área. O curso também reúne estágios, pesquisa, extensão e projetos sociais, além de oferecer atendimentos psicológicos gratuitos à população.
Para o coordenador, professor Wladimir Rodrigues, o aniversário marca uma trajetória de crescimento e renovação. Nesta entrevista, ele fala sobre a formação dos novos profissionais, o mercado de trabalho e o futuro da Psicologia.
O curso completa 10 anos. O que mais mudou nesse período?
Completar uma década é reconhecer que temos história para saber quem somos e, ao mesmo tempo, maturidade para continuar mudando. Ao longo desse período, aproximamos teoria e prática, fortalecemos estágios, pesquisa e extensão e ampliamos a presença dos estudantes em diferentes contextos de atuação. Também estamos vivendo um novo ciclo de transformação curricular, com uma formação cada vez mais voltada para competências: o que o estudante precisa saber, fazer e decidir diante de uma situação profissional real.
Quais são hoje os principais diferenciais do curso no UNICEPLAC?
Nosso compromisso é formar o estudante não apenas para conhecer teorias, mas para pensar como psicólogo. A realidade profissional é complexa e envolve fatores subjetivos, familiares, sociais, culturais e institucionais. A prática tem um papel importante nesse processo. Os estudantes são progressivamente aproximados de situações concretas, com supervisão, e têm contato com professores que aliam formação acadêmica e experiência profissional. Pesquisa, extensão, estágios e projetos voltados à comunidade também permitem aplicar o conhecimento e compreender diferentes realidades sociais.
O perfil de quem escolhe uma carreira na Psicologia mudou?
Mudou bastante. O estudante chega muito mais familiarizado com a linguagem da Psicologia. Termos como ansiedade, depressão, trauma, neurodivergência e saúde mental circulam diariamente nas redes sociais. Isso mostra uma sociedade mais aberta ao tema, mas também traz um desafio. Muitas vezes, o aluno chega com conceitos aprendidos em vídeos de poucos segundos e precisa compreender que a Psicologia científica é muito mais complexa. Também cresceram os interesses por áreas como neurodivergência, diversidade humana, saúde mental no trabalho, neuropsicologia e tecnologias.
A maior preocupação com a saúde mental ampliou o mercado para os psicólogos?
A mudança foi estrutural. Falar de sofrimento psicológico deixou de ser tabu para uma parcela maior da sociedade, e a psicoterapia passou a ser vista também como possibilidade de cuidado, prevenção e desenvolvimento. Mas popularização não significa necessariamente qualificação. Ao mesmo tempo em que falamos mais sobre saúde mental, convivemos com autodiagnósticos e conteúdos sem rigor científico. Quanto maior a procura pela Psicologia, maior é a responsabilidade do profissional.
Além da clínica, onde estão as oportunidades?
A clínica ainda ocupa um lugar forte no imaginário de quem entra na graduação, mas a Psicologia é muito ampla. Há oportunidades nas áreas Organizacional e do Trabalho, Escolar e Educacional, Hospitalar e da Saúde, Jurídica, Neuropsicologia, Avaliação Psicológica, Esporte, Trânsito, políticas públicas e assistência social. O envelhecimento da população também deve ampliar a demanda por profissionais preparados para atuar com cognição, autonomia, vínculos familiares, luto e cuidados paliativos. Onde existem pessoas, relações, sofrimento ou desenvolvimento, há espaço para a contribuição da Psicologia.
Como a inteligência artificial pode transformar a profissão?
Esse tema já faz parte da nossa formação. Temos uma disciplina específica de Psicologia e Inteligência Artificial porque os estudantes encontrarão essas ferramentas no cotidiano profissional. A IA pode contribuir para pesquisa, organização de informações, análise de dados e outras atividades. Mas há uma diferença essencial: processar informações sobre uma pessoa não é o mesmo que compreender uma pessoa. A tecnologia deve apoiar o trabalho do psicólogo, sem ocupar o lugar da relação e da presença humana.
Como você imagina a Psicologia daqui a dez anos?
Imagino uma Psicologia ainda mais interdisciplinar e conectada às transformações sociais e tecnológicas. O envelhecimento da população, as mudanças nas relações de trabalho, a inteligência artificial, a proteção de dados e os impactos do ambiente digital estarão cada vez mais presentes na profissão. Por isso, a formação científica, crítica e ética será ainda mais importante. Quanto mais tecnológica se tornar a sociedade, mais precisaremos compreender aquilo que permanece essencialmente humano. Essa continuará sendo uma das grandes tarefas da Psicologia.
